Novo personagem do folclore nacional. “Criaturas que comem uma vez por ano”
Fiquei me fazendo promessas de que não escreveria sobre o natal. Nada mesmo relacionado a data. Mas meu juízo fica sendo cutucado o tempo todo e aí não tem jeito.
Bem, o natal já está pertinho e o espírito solidário, amigo, benevolente e altruísta vêm nos rondar. Já posso ver a fila, pequenos e grandes aglomerados de pessoas. Aquelas que esperam durante todo o ano para serem beneficiadas pelo tal espírito que baixa em alguns cavalos da sociedade. Aquelas pessoas que comem somente uma vez no ano. Como não? Não sabiam disso? Elas existem e às vésperas do natal elas se preparam. Preparam-se para serem recolhidas, levadas para alguma instituição onde poderão tomar banho, vestir roupas limpas e comer. Sim, essas pessoas, assim como o Papai Noel aparecem uma vez no ano e são tão agraciadas e procuradas quanto o bom velhinho.
É bom saber que uma família não sentirá fome neste natal. Terão a mesa farta. Aquele peru ou frango gordo. Arroz e feijão. Farofa com lingüiça, maravilha, não? E aí, os cavalos que recebem o espírito solidário podem deitar e dormir satisfeitos de que ao menos no natal essa família terá o que pôr na panela. Acontece que o natal dura um dia. E só. Aí no ano seguinte, os cavalos voltam para nova oferenda aos miseráveis e lá encontram os sobreviventes. As pessoas que comem e se fartam uma vez ao ano e depois desaparecem. Nunca mais os vemos. Não lembramos de seus rostos. Nomes? Não perguntamos. Engraçado, não demora farão parte de nosso folclore: Papai Noel, Saci Pererê, Coelhinho da Páscoa, Criaturas que comem uma vez por ano. Isso me lembra o mutante Eugene Tooms, da série Arquivo X, que despertava a cada trinta anos para se alimentar e depois hibernava por mais trinta anos. Ótimo episódio.
Então deve ser isso.. os miseráveis hibernam o resto do ano e acordam somente no natal. Ahhhh.. tá explicado. OK.
Bem, já estou me perdendo e e e..... Ah sim.
O importante é: assim como se leva flores para Iemanjá, uma tradição costumeira, leva-se também oferenda aos miseráveis, as criaturas que comem uma vez ao ano. E depois, diante da televisão arrotamos o pernil, o chester, o tender, nostalgicamente assistindo ao especial do Roberto Carlos.
Viva! É Natal.
Bem, o natal já está pertinho e o espírito solidário, amigo, benevolente e altruísta vêm nos rondar. Já posso ver a fila, pequenos e grandes aglomerados de pessoas. Aquelas que esperam durante todo o ano para serem beneficiadas pelo tal espírito que baixa em alguns cavalos da sociedade. Aquelas pessoas que comem somente uma vez no ano. Como não? Não sabiam disso? Elas existem e às vésperas do natal elas se preparam. Preparam-se para serem recolhidas, levadas para alguma instituição onde poderão tomar banho, vestir roupas limpas e comer. Sim, essas pessoas, assim como o Papai Noel aparecem uma vez no ano e são tão agraciadas e procuradas quanto o bom velhinho.
É bom saber que uma família não sentirá fome neste natal. Terão a mesa farta. Aquele peru ou frango gordo. Arroz e feijão. Farofa com lingüiça, maravilha, não? E aí, os cavalos que recebem o espírito solidário podem deitar e dormir satisfeitos de que ao menos no natal essa família terá o que pôr na panela. Acontece que o natal dura um dia. E só. Aí no ano seguinte, os cavalos voltam para nova oferenda aos miseráveis e lá encontram os sobreviventes. As pessoas que comem e se fartam uma vez ao ano e depois desaparecem. Nunca mais os vemos. Não lembramos de seus rostos. Nomes? Não perguntamos. Engraçado, não demora farão parte de nosso folclore: Papai Noel, Saci Pererê, Coelhinho da Páscoa, Criaturas que comem uma vez por ano. Isso me lembra o mutante Eugene Tooms, da série Arquivo X, que despertava a cada trinta anos para se alimentar e depois hibernava por mais trinta anos. Ótimo episódio.
Então deve ser isso.. os miseráveis hibernam o resto do ano e acordam somente no natal. Ahhhh.. tá explicado. OK.
Bem, já estou me perdendo e e e..... Ah sim.
O importante é: assim como se leva flores para Iemanjá, uma tradição costumeira, leva-se também oferenda aos miseráveis, as criaturas que comem uma vez ao ano. E depois, diante da televisão arrotamos o pernil, o chester, o tender, nostalgicamente assistindo ao especial do Roberto Carlos.
Viva! É Natal.


2 Comments:
At 5:24 PM,
Paulodaluzmoreira said…
Ana Paula,
Gosto do seu blog (já te mandei um e-mail). Vai aí meu presente de Natal - nada como um Drummond novinho, bem ácido, para um verdadeiro jingobéu:
Papai Noel às Avessas
Carlos Drummond de Andrade
Papai Noel entrou pela porta dos fundos
( no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.
Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender,
teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
( no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças.
Papai entrou compenetrado.
Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente da república de celulóide.
Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do
aperto.
Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um gato comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.
Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.
Tchau,
Paulo
At 12:06 PM,
Anônimo said…
Ótimo presente. Coube certinho na minha meia. Valeu :)
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