Killing Travis

Blog de Ana Paula Maia

02 dezembro 2005

Pague o que nos deve e vomite o que comeu.

Venho pensando nesse crime que ocorreu aqui no Rio. Ônibus incendiado na Penha. Mata cinco pessoas e deixa outras tantas feridas. No dia seguinte, é dada a ordem pelos bandidos para liquidarem os bandidos que praticaram o crime. Os quatro são encontrados mortos dentro de um carro. Uma lambança. Mas bem menor do que a que eles fizeram no dia anterior. A mãe de 33 anos e a filha de 1 ano e meio enterradas hoje. Caixão sobre caixão, deu na televisão. Colocadas na mesma cova, cobertas com a mesma terra. Nem tiveram um velório, mas não disseram a razão.

A polícia tá puta da vida. Puta com razão. Bandido resolve suas questões. Não espera pela justiça, a Lei que anda como uma cabra-cega, sem visão, fazendo uns joguinhos pra gente acompanhar feito Big Brother na televisão.
Bandido sabe revolver seus problemas. A questão da injustiça, isso não existe entre irmãos. Irmãos de facção. Vacilou. Toma bala, filhadaputa. A polícia quer prender. Aparecer na tv. Dar entrevista e mostrar a eficiência do sistema. O sistema é resolver com as próprias mãos. Quem tem culhões, faz assim. Chama o irmão do lado, de fé, arma na mão, e já é. Dia seguinte, outra estória.

No pedaço de papelão que deixaram sobre o painel do carro com os bandidos mortos, tava lá, escrito com um pedaço de carvão. Tudo errado. É claro, sem educação. Sem saúde. O jeito é escrever mais ou menos, mas eles tem culhões. Os que escrevem corretamente, tem culhões sim, pra cassar o Zé Dirceu. Pra acabar com ele. Esmagar o homem. É foda saber escrever.
Na hora de fazer justiça pela mãe e pela filha, eles querem moralizar. Querem o bandido vivo. Pra você e eu sustentar. Lá, dentro do sistema. O carcerário. E o carcereiro também se ferra quando a coisa esquenta. Costumam queimá-lo também.

Agora querem saber: A ordem veio de dentro ou veio de fora. A ordem e o progresso que caminham lado a lado com a senhora dos olhos vendados. Precisamos achar aquele que fez o nosso trabalho, que comeu do nosso pão. Esse crime era nosso, por isso, pague o que nos deve e vomite o que comeu.

Sr. Marcelo Itagiba que me perdoe a indiscrição: Ladrão que mata ladrão tem cem anos de perdão.