Killing Travis

Blog de Ana Paula Maia

29 novembro 2005

Cidade Baixa: Vila Madalena aos tropeções

Assisti ao filme Cidade Baixa e gostei. Me peguei diversas vezes rindo junto com o Wagner Moura, porque aquele sujeito atua com desenvoltura, parece um dos meus amigos. Na verdade ele e o Lázaro Ramos funcionam na tela como eu funciono quando estou entre amigos.
Bem, os atores dão um baila à parte. O filme tem uma densidade suportável, até agradável para quem curte Oldboy, 21 gramas e coisa e tal. A direção é bem boa. Mas a melhor coisa é que é bem urbano em meio aquilo que poderia evocar alguma necessidade em explorar a “regionalidade” do set. No mais, é bem sensual com umas fodas aqui e ali. E mais uma vez mostra como uma “perereca” pode acabar com uma amizade. É impressionante saber que tenho uma coisa dessas entre as pernas, mas nem sempre sei usá-la pra isso... o poder entende? Hahaha.

Assisti a esse filme na quinta-feira passada, no espaço Unibanco da rua Augusta. Eu estava lá por causa do lançamento do Contos sobre Tela. Foi tudo corrido. Eu estava na tpm e tive um pequenino surto de labirintite dentro do Bob´s da Av. Paulista. Quase caí quando os hambúrgueres começaram a voar na minha frente. As promoções nos cartazes se embaralharam e foi um horror. Peguei meu lanchinho e me mandei pro hotel que era perto.
Aliás, a crise de labirintite só aumentou. Hoje acordei com as prateleiras do meu quarto dançando para mim. Já estou me drogando, felizmente, e não demora passa.

Então.... fui para o hotel, me joguei na cama e comi meu bob´s sei lá o que e consegui descansar e me arrumar pra ir a Vila Madalena. Não fazia idéia. Putz, carioca em São Paulo, sozinha, é brabo. Mas eu estava confiante. Peguei um táxi e como a sorte me sorria, o taxista não sabia onde ficava a rua Rodésia, que é a rua da Mercearia São Pedro. Putz, lá vou eu me perder com esse jagunço, eu pensei. Repeti o nome da rua 15 vezes. Para ele e para a mulher de voz metálica do outro lado do rádio. Aí no caminho, o taxista abriu um mapa, e procurava e nada. Eu disse: Ei, motorista, com o dinheiro que tenho não dá pra gente se perder muito não. Aliás, já tô bem atrasada. Dá pra andar mais rápido?”
Mas ele era um jagunço simpático e achamos a rua. Achamos a mercearia e eu achando que era um lugar meio chique ou quase isso. Sou meio burguesa quando o assunto é balada. Mô botecão. Tomei várias encoxadas dos garçons mal humorados e descobri que o Lumpa-Lumpa, da Fantástica Fábrica de Chocolate trabalha lá. Ele me serviu alguns chás gelado. Eu não pratico álcool, mas me sentia chapada. O calor era tenebroso. Que noite abafada para se estar “dentro” de algum lugar. E o mais estranho era a japonesa com seu xixi sincronizado com o meu. Uma ida ao banheiro e lá estava ela. Que estranho era isso.

Assim que cheguei encontrei a Cristiane Lisbôa que eu já conhecia e que é um docinho. Aí, conheci a Andrea Del Fuego que é ótima. Eu não parava de tagarelar um segundo. Expus algumas teorias pessoais, como a do “Pau Duro”, um dia escrevo um post sobre isto.
Estavam lá a Ivana Arruda Leite(uma das autoras da coletânea) que adora a novela Belíssima e se dividia entre papos e olhadelas para a televisão. Ela gosta mesmo. Estava também a Índigo, com quem não conversei direito, mas teve uma hora em que fomos todas as “meninas” para a sessão de filmes do bar e fofocamos umas coisas engraçadas.

Aliás, este bar é bem interessante. Livros e giletes estão lado a lado para serem vendidos. Pilhas também. Você pode pedir: Por favor, uma cerveja, duas pilhas e o último do Marçal Aquino. Isso é só um exemplo. Tem uma penca de ótimos livros lá protegidos por uma barreira de filmito.

Bem, o João Anzanello me escreveu uma dedicatória fofa no meu livro, pq ele é também um dos autores da coletânea, e estavam lá a Camila da editora, o Moutinho e a Flávia com suas clicadas.

O Santiago Nazarian chegou sei lá que horas. Ele me deu um “Olívio” e um cd do Dussek. Ele fez esse cd pra mim e é muito bom. O cd está sobrevivendo entre meus garotos rebeldes do rock´n´roll. É bom pra equilibrar.
Eu dei pra ele um “Contos sobre Tela”. Na verdade, meu conto é dedicado a ele. Que metido. Hahaha.
Por último, chegou o Marcelino Freire que é adorável e que gosta de falar tanto quanto eu. Então tudo em casa. Tivemos um papo muito bom e foi importante ouvi-lo dizer umas coisas a respeito dos meus textos. Bommm mesmo.

Saí de lá bemmmm tarde e o Santiago literalmente me arrastava pelo braço por Vila Madalena, me fazendo tropeçar naqueles altos e baixos e eu calçando a porcaria de botas bico quadrado. Eu reclamava e ele dizia: rápido rápido rápido. Parece até um conto meu, mas era assim mesmo. Para quem é fã dele e gosta de saber curiosidades, ele anda estapeando a gente. É a mais pura verdade. O braço fica balançando de um lado para o outro e a gente tomando umas lambadas. Ele me arrastou até uma boate, esqueci o nome, fomos pra outra, sei lá também... Ele dá uma passada e vai de uma esquina a outra. É impressionante. Da próxima vez eu vou usar chuteiras porque deve dar mais mobilidade.

Se alguém me soltasse por ali, eu me sentiria como a personagem do filme “O céu que nos protege.” Eu esperaria que beduínos cruzassem a Vila Madalena, me prostituiria com eles para assim encontrar a “saída.” Esse filme é bem pesado. Me fez um mal terrível quando assisti.

Acordei com um barulhinho e o que era? Chuva! Senti uma coisa estranha no meu cotovelo e descobri que tomei uma queimada de cigarro. A casquinha tá quase caindo. Não faço idéia de como queimei o cotovelo, não vi ninguém fumando perto de mim, mas eu sempre arranjo alguma mazela quando saio. Talvez um dos garçons numa daquelas encoxadas violentas. Que horror!

Ai ai..... juntei minhas coisinhas e me arranquei do hotel antes que a marginal Tietê alagasse. Antes da metade da viagem mestruei. Eca! E as prateleiras continuam girando diante de mim. Preciso de drogas mais pesadas.

3 Comments:

  • At 9:09 PM, Anonymous Anônimo said…

    Hahahahaha... virei aqui outras vezes.

     
  • At 6:54 AM, Blogger Miguel do Rosário said…

    falou Ana, vou acompanhar seu blog. Estou curioso para ler o livro (o já publicado e o outro, a publicar). Dá uma passada lá no Hellbar.blogspot.com. Com sua licença, vou linkar você. Abraço.

     
  • At 11:34 AM, Anonymous Anônimo said…

    Ok Miguel. Be my guest!
    Leia o livro e depois me diga o que achou.

     

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