Dragões à flor da pele
Às vezes, me pedem algum adiantamento do meu novo livro, um romance ainda inédito. Tem um trecho longo lá na seqüência da entrevista no Portal Literal, na coluna “de olho neles” e deixo mais este aqui.
*
“Gotas de suor escorrem pelas costas. Sente queimar a pele, sufocar os poros. A cauda de serpente contornando o umbigo expele bolinhas de suor que borbulham da pele. O pescoço aquece, a garganta incandescente do dragão fritam seus pensamentos, suas garras fincadas nas costelas, as asas querendo transportá-la para uma outra dimensão.
Gina Trevisan faz muitas flexões. A musculatura da barriga divide-se em contornos sulcados profundamente. Enquanto os músculos trabalham, os pensamentos ventilam, o coração amortece.
De pé, agarra a barra de ferro atravessada no alto da janela da sala, de frente para o sótão. Sobe e desce e agora seus braços esforçados reagem ao deixarem em evidência veias salientes, dilatadas. Sua pele branca está vermelha. Todo seu corpo está vermelho. O dragão nas costas enfurecido disposto a dragar a areia, o lodo entulhado no fundo do lago de seu espírito, do oceano de seus pensamentos. Ela transpira as horas incompetentes, o coração dilacerado, o medo, as surras, os conselhos da mãe, a musgosidade dos dias e o inquebrantável silêncio que sonda sua alma, sem deixar brechas para tomar resoluções. Gina Trevisan transpira-se”.
[“A Guerra dos Bastardos”, Ana Paula Maia]
*That´s all folks*
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“Gotas de suor escorrem pelas costas. Sente queimar a pele, sufocar os poros. A cauda de serpente contornando o umbigo expele bolinhas de suor que borbulham da pele. O pescoço aquece, a garganta incandescente do dragão fritam seus pensamentos, suas garras fincadas nas costelas, as asas querendo transportá-la para uma outra dimensão.
Gina Trevisan faz muitas flexões. A musculatura da barriga divide-se em contornos sulcados profundamente. Enquanto os músculos trabalham, os pensamentos ventilam, o coração amortece.
De pé, agarra a barra de ferro atravessada no alto da janela da sala, de frente para o sótão. Sobe e desce e agora seus braços esforçados reagem ao deixarem em evidência veias salientes, dilatadas. Sua pele branca está vermelha. Todo seu corpo está vermelho. O dragão nas costas enfurecido disposto a dragar a areia, o lodo entulhado no fundo do lago de seu espírito, do oceano de seus pensamentos. Ela transpira as horas incompetentes, o coração dilacerado, o medo, as surras, os conselhos da mãe, a musgosidade dos dias e o inquebrantável silêncio que sonda sua alma, sem deixar brechas para tomar resoluções. Gina Trevisan transpira-se”.
[“A Guerra dos Bastardos”, Ana Paula Maia]
*That´s all folks*


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