Ratos e Rastros
Com toda a chuvarada, antes acumulada nas estrelas e nos vãos dos céus, me preocupei com os ratos desfilando desabrigados, arrastados por correntezas inesperadas, por inundações tropicais urbanas. Espalhando seus venenos; contaminando, infestando, adoecendo.
Os ratos. Sempre penso neles. Apesar do pavor, é um dos meus livros prediletos. Acho que continuará sendo por décadas. Vai aí um trecho:
“Tente recordar a primeira escuridão que você viu e da qual se lembra; conceba-a em sua forma primitiva, tente recriar o curso da vida, os fatos, os delírios, as fugas, as viagens __ dos primeiros momentos depois de sair do ventre aconchegante da Mãe, da primeira tentativa dolorosa de respirar, da sensação de frio repentino, do corte do cordão umbilical e do toque gentil da língua.
Eu me lembro: esgotos, porões, cavernas, sótãos, túneis, galerias, fendas, sarjetas, fossos, fossas sépticas, tanques, valas, bueiros, poços, latas de lixo, monturos, armazéns, despensas, galinheiros, chiqueiros, currais, estábulos ... Meu mundo de rato __ uma vida submersa em sombra, em trevas, em tons cinzentos, em penumbra e escuridão, crepúsculo e noite, afastado do dia, da luz, do sol ofuscante, da claridade, dos raios penetrantes, das superfícies reluzentes e deslumbrantes.”
[Andrzej Zaniewski, em “O Rato”]
Os ratos. Sempre penso neles. Apesar do pavor, é um dos meus livros prediletos. Acho que continuará sendo por décadas. Vai aí um trecho:
“Tente recordar a primeira escuridão que você viu e da qual se lembra; conceba-a em sua forma primitiva, tente recriar o curso da vida, os fatos, os delírios, as fugas, as viagens __ dos primeiros momentos depois de sair do ventre aconchegante da Mãe, da primeira tentativa dolorosa de respirar, da sensação de frio repentino, do corte do cordão umbilical e do toque gentil da língua.
Eu me lembro: esgotos, porões, cavernas, sótãos, túneis, galerias, fendas, sarjetas, fossos, fossas sépticas, tanques, valas, bueiros, poços, latas de lixo, monturos, armazéns, despensas, galinheiros, chiqueiros, currais, estábulos ... Meu mundo de rato __ uma vida submersa em sombra, em trevas, em tons cinzentos, em penumbra e escuridão, crepúsculo e noite, afastado do dia, da luz, do sol ofuscante, da claridade, dos raios penetrantes, das superfícies reluzentes e deslumbrantes.”
[Andrzej Zaniewski, em “O Rato”]


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