Killing Travis

Blog de Ana Paula Maia

04 março 2006

Rosas e paus

Ando ouvindo diariamente o cd "Whatever People Say I Am, Thats What I Am Not" do Artic Monkey e gosto cada vez mais. Bem, isso não tem a ver em nada com o motivo pelo qual resolvi escrever hoje. Nem era para estar escrevendo, desde que adquiri em suaves prestações uma lesão entre o pescoço e o ombro. Aquela região que sempre tensiona quando estamos nervosos ou cansados. Aquela que recebe massagens apertadas e logo damos um gemido de dor e alívio.
A ignorância me faz desconhecer o nome e minha falta de preocupação faz isso se tornar público.

Bem, anos administrando uma bateria numa banda punk rock de garagem, esta região do lado direito se tornou sensível e um ponto específico de tensão. Mas é força do hábito mesmo. Com ou sem dor, sempre estarei por aqui.

Logo chega o dia internacional da mulher e pretendo escrever algumas linhas. Tudo que recebe um dia de comemoração me soa uma tentativa de reparo que nunca será reparado. Uma cortina de fumaça. Um make-up fajuto. Não gosto de datas festivas, não cosutmo comemorar as coisas baseada no calendário. Sinceramente, não preciso de um dia no calendário para festejar meu sexo. Seria muito melhor e funcional e prático e eficiente, se liqüidassem as diferenças salariais entre homens e mulheres pelos mesmos serviços prestados a nos darem a porcaria de um dia destacado calendário.

Vejam só: Mulheres, crianças, negros, índios...... até mesmo Cristo....... todos nós temos os nossos dias. Engraçado constatar que todos cuspidos, maltratados, desprezados e humilhados em algum momento da história, para não dizer vários momentos. Talvez eu dê uma saidinha na rua, a gente sempre recebe uma rosa em alguma loja de departemantos. E ali, vemos todas as Marias felizes, com uma rosa na mão. Celebrando seu dia com pétalas que logo desfalecerão. Sempre percebo aquele semblante de contentamento de todas que recebem uma rosa. Amolece qualquer uma. Quando chega em casa, é umbigo no fogão, louça pra lavar, filho pra cuidar.

Mas em se tratando desse dia comemorativo, penso mesmo, é num trecho de um livro que li:


"__ Os deuses são muito brincalhões __ me disse, certa feita, uma cartomante bêbada. __ Só de farra, deram aos homens paus, e às mulheres o desejo insaciável de tê-lo dentro delas."



[A maldição do macho, Nelson de Oliveira]


*That´s all folks*