Killing Travis

Blog de Ana Paula Maia

26 dezembro 2005

From Dusk Till Dawn

Ontem, dia 25, assisti pela décima oitava vez ao filme “Um drink no inferno” em VHS, com direito a risquinhos e tudo na tela. Foi a melhor coisa para se fazer num domingo natalino chuvoso cheirando a resto de peru e rabanada.

Depois dei uma lida rápida no roteiro do filme, e novamente o prefácio (logo abaixo) me chama atenção. E isso me remeteu a nossa produção literária nacional. É por aí mesmo. Gosto desse cheiro férrico quando sangramos, dos olhos famintos por produzir um tipo de encantamento letrado que afeta nossos sentimos. Já que o título desse post quer dizer “aberto até o amanhecer”, que assim seja o próximo ano para aqueles que escrevem arduamente. Sem descanso. Com os olhos pesados. Os dedos doloridos. Que sugam e se deixam sugar por sua própria criação durante toda a noite até o amanhecer. Aqueles que dormem quando todos estão de pé. Que estão de pé enquanto todos dormem. Isto é para os escritores com alma de vampiro.


“Um verdadeiro vampiro é, em seu frio coração, promíscuo. Ele vai aonde sua necessidade o leva e, por isso, os pescoços de bem-nascidos e dos mal vistos valem o mesmo. Desde de que tenham vida, servem ao propósito. Não é de espantar que o vampiro esteja vivenciando um retorno ao prestígio: ele compartilha com nossa cultura o instinto do comedor de carniça. A impureza é a moda do momento; procuramos e celebramos a arte que se deleita com sua própria promiscuidade, revigorando-se a cada veia a qual o artista põe seu olho faminto.”

Clive Barker,
Do prefácio do roteiro “Um drink no inferno.”