Reis, pombas e gaviões
Existe uma lenda indiana que conta que o rei de Benares, Vrishadarbha, que era muito famoso por sua bondade e compaixão, deparou-se com uma ave caída aos seus pés. E a ave lhe pediu proteção, pois havia um gavião querendo devorá-la.
O rei disse que a protegeria. Que seria capaz de dar seu reino, sua vida para manter sua promessa.
[assim.... num ato louco de compaixão. Num surto de amor fraterno, entende?]
Mas assim que ouviu essas palavras, o gavião disse ao rei que aquele pássaro, uma pomba, era seu alimento destinado pelos deuses. Que ele não tinha nada que se meter. Que é a lei da natureza. Que ele, o rei, tem seus súditos, riquezas, poderes de comandar, mas sobre aquela avezinha ele não tinha direitos legais, porque lhe fora destina dos céus.
[E porra, pombos e gaviões não falam. Mas sou solidária ao gavião. Ele é predador natural. O destino da pomba era mesmo servir de alimento para ele, já que outros seres, vegetais e animais, certamente um dia serviram de alimento para a pomba em questão.]
Bem, continuando...
O rei, se achando, disse que ele não ficaria com fome. Que ordenaria que preparassem um javali ou veado. Que poderia se fartar à vontade, mas a pomba ele não comeria.
[“O trabalhador é digno do seu salário”, está lá na bíblia em algum versículo. O gavião só queria sua presa, fruto de seu trabalho. Foda-se o veado e o javali, ele deve ter pensado. Me esforcei por merecer esta pomba e não quero comer outra coisa senão isso.]
O gavião propõe ao rei Vrishadarbha o seguinte: Numa balança, colocará a pomba e do outro lado fatias de sua própria carne. E eu quero receber o eqüivalente ao peso desta pomba em carne de teu próprio corpo, ele disse. E o rei concorda.
[Fica evidente que o gavião quer tirar um sarro com a cara do rei bondoso. A propósito, reis bondosos são sempre imbecis.]
O rei mandou trazer uma balança. Colocou a pomba de um lado e do outro começou a depositar pedaços de sua própria carne.
E diz a lenda que a Terra tremeu quando foi constatado que o rei de Benares era capaz de cumprir suas promessas mais esdrúxulas. E o rei continuava a cortar pedaços de suas pernas, coxas e dos músculos dos braços (é o que diz aqui... não estou aumentando nada.)
O problema é que quanto mais de sua carne ele punha na balança, mais pesada ficava a pomba do outro lado do prato. ( isso mesmo... aquela avezinha frágil estava pesando chumbo.)
O rei já estava reduzido ao esqueleto. Vendo que não conseguia igualar seu peso com o da pomba, ele resolve doar-se por inteiro e sobe na balança. E o peso foi equilibrado.
Bem, conta a lenda que neste instante, os deuses apareceram. Tocou uma música celestial e rolou uma chuva de néctar. Seu corpo foi devolvido. Flores caíram do céu, as ninfas cantaram e dançaram e numa carruagem maravilhosa os deuses levaram o rei com eles para o céu.
[Este último trecho, me soa como algum capítulo não-publicado da novela de Burrouhgs, “Almoço nu”. Essas ninfas e esse néctar e essa música celestial. Bem, isso tudo me parece uma baita orgia. Ninguém mais falou no gavião. Gostaria de saber o que ouve com ele.
Quer dizer, o rei no seu reinado de milhões, coçando o saco sem nada para fazer, decide colocar um pouco de aventura em sua vidinha milionária sem graça.
Certamente, ele deveria beber do tal néctar dos céus todos os dias, e quando começou a “canibalizar-se” ele deveria estar tão doido que não sentiu nada. Fez aquele espetáculo todo. Foi agraciado no final. Baixaram uns espíritos, ele deve ter traçado umas ninfas e enchido a cara com mais néctar dos céus, e porra...... cadê o gavião?
Ele foi humilhado. Teve seu “salário” usurpado por um rei festeiro e metido a altruísta. Sua honra de gavião perante a comunidade de gaviões deve ter ficado abalada. Deve ter ouvido piadas. Sua mulher gavioa deve ter dito que ele era um “pinto mole” e não impunha mais respeito em casa e coisa e tal. Desmoralizado perante toda a sua família e seu amigos. E por quê? Para saciar os caprichos de um burguesinho que usa saiote e rabo-de-cavalo.]
É, meus caros, em terra de rei altruísta, gavião só se fode.
*That´s all folks*
O rei disse que a protegeria. Que seria capaz de dar seu reino, sua vida para manter sua promessa.
[assim.... num ato louco de compaixão. Num surto de amor fraterno, entende?]
Mas assim que ouviu essas palavras, o gavião disse ao rei que aquele pássaro, uma pomba, era seu alimento destinado pelos deuses. Que ele não tinha nada que se meter. Que é a lei da natureza. Que ele, o rei, tem seus súditos, riquezas, poderes de comandar, mas sobre aquela avezinha ele não tinha direitos legais, porque lhe fora destina dos céus.
[E porra, pombos e gaviões não falam. Mas sou solidária ao gavião. Ele é predador natural. O destino da pomba era mesmo servir de alimento para ele, já que outros seres, vegetais e animais, certamente um dia serviram de alimento para a pomba em questão.]
Bem, continuando...
O rei, se achando, disse que ele não ficaria com fome. Que ordenaria que preparassem um javali ou veado. Que poderia se fartar à vontade, mas a pomba ele não comeria.
[“O trabalhador é digno do seu salário”, está lá na bíblia em algum versículo. O gavião só queria sua presa, fruto de seu trabalho. Foda-se o veado e o javali, ele deve ter pensado. Me esforcei por merecer esta pomba e não quero comer outra coisa senão isso.]
O gavião propõe ao rei Vrishadarbha o seguinte: Numa balança, colocará a pomba e do outro lado fatias de sua própria carne. E eu quero receber o eqüivalente ao peso desta pomba em carne de teu próprio corpo, ele disse. E o rei concorda.
[Fica evidente que o gavião quer tirar um sarro com a cara do rei bondoso. A propósito, reis bondosos são sempre imbecis.]
O rei mandou trazer uma balança. Colocou a pomba de um lado e do outro começou a depositar pedaços de sua própria carne.
E diz a lenda que a Terra tremeu quando foi constatado que o rei de Benares era capaz de cumprir suas promessas mais esdrúxulas. E o rei continuava a cortar pedaços de suas pernas, coxas e dos músculos dos braços (é o que diz aqui... não estou aumentando nada.)
O problema é que quanto mais de sua carne ele punha na balança, mais pesada ficava a pomba do outro lado do prato. ( isso mesmo... aquela avezinha frágil estava pesando chumbo.)
O rei já estava reduzido ao esqueleto. Vendo que não conseguia igualar seu peso com o da pomba, ele resolve doar-se por inteiro e sobe na balança. E o peso foi equilibrado.
Bem, conta a lenda que neste instante, os deuses apareceram. Tocou uma música celestial e rolou uma chuva de néctar. Seu corpo foi devolvido. Flores caíram do céu, as ninfas cantaram e dançaram e numa carruagem maravilhosa os deuses levaram o rei com eles para o céu.
[Este último trecho, me soa como algum capítulo não-publicado da novela de Burrouhgs, “Almoço nu”. Essas ninfas e esse néctar e essa música celestial. Bem, isso tudo me parece uma baita orgia. Ninguém mais falou no gavião. Gostaria de saber o que ouve com ele.
Quer dizer, o rei no seu reinado de milhões, coçando o saco sem nada para fazer, decide colocar um pouco de aventura em sua vidinha milionária sem graça.
Certamente, ele deveria beber do tal néctar dos céus todos os dias, e quando começou a “canibalizar-se” ele deveria estar tão doido que não sentiu nada. Fez aquele espetáculo todo. Foi agraciado no final. Baixaram uns espíritos, ele deve ter traçado umas ninfas e enchido a cara com mais néctar dos céus, e porra...... cadê o gavião?
Ele foi humilhado. Teve seu “salário” usurpado por um rei festeiro e metido a altruísta. Sua honra de gavião perante a comunidade de gaviões deve ter ficado abalada. Deve ter ouvido piadas. Sua mulher gavioa deve ter dito que ele era um “pinto mole” e não impunha mais respeito em casa e coisa e tal. Desmoralizado perante toda a sua família e seu amigos. E por quê? Para saciar os caprichos de um burguesinho que usa saiote e rabo-de-cavalo.]
É, meus caros, em terra de rei altruísta, gavião só se fode.
*That´s all folks*


4 Comments:
At 6:45 AM,
Anônimo said…
HAHAHA OU SERIA O GAVIÃO UM FODIDO POR NATUREZA?
BEIJOS MUITA MER--DA DA ARIELA, A REVIRADA!!!(ASSIM COMO ED WOOD, MEIO QUE ASSUMI UMA ENTIDADE FEMININA E É ESCRITORA COMO VC.)HEHEHE.
At 1:35 PM,
ana paula maia said…
Não me responsabilizo por sua mudança de sexo.
O gavião é o povo! Sempre o povo submisso ao seu rei "bondoso"
ana paula maia
At 9:51 AM,
Anônimo said…
NÃO, AINDA NÃO SOU GLENDA, NÃO MUDEI MEU SEXO, SÓ ACEITEI MINHA ALMA FEMININA, É O GAVIÃO É A REPRESENTAÇÃO VIVA DO POVO, SENDO ASSIM OS URUBUS REPRESENTAM A MORTE, A POLÍTICA OU A IMPRENSA INSACIÁVEL PELO MASSACRE SOBRE O MASSACRE?
ARIELA AINDA É GLEN, HEHEHE.
At 6:20 PM,
Anônimo said…
é por isso que eu não alimento pombos.
aposto que o gavião já sabia que se tratava de um pombo com obesidade mórbida quando deu a sugestão da balança.
não por acaso o pombo estava no chão.
esse porra nem voar conseguia mais.
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